A Eclesiologia de Rute e a Escatologia de Ester (Parte 1)

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O surgimento da igreja subterrânea da China ao longo dos últimos 30 anos mudou drasticamente a composição da eclésia internacional: seus grandes números, experiência com perseguição, fé na intervenção sobrenatural, história oriental, ênfase em igreja nas casas e a visão “de volta à Jerusalém”. Devido à sua cultura de honrar os “ancestrais familiares”, eles também trazem uma visão especial de estrutura de “família estendida” ao Corpo Internacional do Messias. Sua presença mudou toda a nossa eclesiologia (entendimento do significado e formato da igreja internacional).

Um grupo de líderes chineses e internacionais, coordenado por David Demian, recebeu uma visão de trazer um grande número de cristãos para adorar ao Senhor em Jerusalém. Esse “Ajuntamento Global” aconteceu em novembro de 2014 e foi chamado de “822” – tirado de Zacarias 8.22, que afirma: “Virão muitos povos e poderosas nações buscar em Jerusalém ao SENHOR dos Exércitos…” De fato, o Centro Internacional de Convenções em Jerusalém estava superlotado durante esse evento histórico.

David Demian é um árabe egípcio, médico, que morou e exerceu a medicina por muitos anos no Canadá. Houve uma ampla representação no Ajuntamento não apenas das igrejas do Leste asiático e das igrejas ocidentais, mas também de cristãos árabes. A equipe de liderança incluía vários que trabalharam durante muito tempo para implementar a visão da “Estrada de Isaías 19”, que busca um avivamento espiritual no Oriente Médio assim como a reconciliação entre árabes e judeus, conforme indicado na profecia de Isaías 19.23-25.

Nessa conferência, e nos “Ajuntamentos Globais” seguintes, alguns da nossa equipe representando parte da liderança judaico-messiânica em Israel subiram ao palco e dirigiram um momento de honrar nossas irmãos e irmãs cristãos árabes, além de ajoelhar em arrependimento por nossos próprios pecados de orgulho e infidelidade. O resultado foi bem chocante, pois os cristãos árabes foram profundamente tocados pela demonstração de amor e humildade; quase atordoados por se verem sendo abençoados por judeus messiânicos.

A resposta de David foi de liderar toda a comunidade internacional representada lá (incluindo chineses e árabes) num voto de aliança de “Rute” ao povo judeu, de que “o teu povo é o meu povo” (Rute 1.16). Senti que esse momento foi um ponto de virada histórico. Até agora, aqueles que tinham um “chamado de Rute” eram vistos como uma pequena minoria de cristãos que o Senhor tocou com amor e fidelidade especiais ao povo judeu.

Por causa do envolvimento de cristãos tanto árabes como chineses nesse compromisso de aliança, uma mudança espiritual está acontecendo. O “chamado de Rute” não será mais a exceção, mas a regra; não algo incomum, mas o padrão; não a minoria e, sim, a maioria. O entendimento de Rute como uma parábola “eclesiológica” significaria que Orfa (“aquela que dá as costas”) passa a não representar mais o cristão normal, com Rute (que talvez signifique “amigo”) sendo apenas a exceção; ao invés disso, Rute deveria representar uma figura de TODOS os verdadeiros cristãos, com Orfa sendo a ímpia ou infiel.

Isso nos dá uma nova perspectiva sobre o que chamaríamos de uma “Eclesiologia de Rute”: a Eclésia da Igreja Internacional está essencialmente ligada a Israel. Essa ligação vem pela aliança com o Deus de Israel por meio do Messias de Israel (Efésios 2.12, 19). A ligação entre Israel e a Igreja está redefinindo ambas quanto ao seu significado bíblico original: a essência da identidade de Israel é uma nação santa que é estendida espiritualmente para as outras nações através da Igreja; e a Igreja é, essencialmente, um corpo espiritual internacional cujas raízes estão em Israel como seu ponto de origem. A identidade da Igreja está ligada a Israel; e a identidade de Israel está ligada à Igreja.

Dan Juster chama isso de “a dupla restauração de Israel e da Igreja”. Ela une a “Israelogia” e a Eclesiologia. Cremos que essa era a visão original dos apóstolos em relação a Israel e à Igreja. Em nossos dias, essa visão apostólica de “eclesiologia” está sendo restaurada. O “remanescente” judaico-messiânico exerce um papel de ponte por ser a Igreja dentro de Israel e, ao mesmo tempo, Israel dentro da Igreja.

Uma visão restauracionista da eclesiologia também tem um efeito sobre a escatologia (entendimento sobre o Fim dos Tempos) que a pessoa aceita. A eclesiologia afeta a Escatologia. Uma eclesiologia restauracionista deveria levar a uma escatologia restauracionista. A maneira como enxergamos Israel e a Igreja hoje afeta como vemos o cumprimento das profecias do Fim dos Tempos amanhã. Se Israel e a Igreja estão ligados um ao outro em sua origem, eles também estarão unidos no seu destino.

Essa identidade compartilhada influencia a forma como vemos a vinda do Reino de Deus. Poderíamos dizer: “Israel mais a Igreja igual ao Reino de Deus”. Ou “o relacionamento entre Israel e a Igreja dá à luz o Reino de Deus na Terra”.

O livro de Rute descreve eventos históricos reais, mas pode ser lido como uma parábola profética do relacionamento entre Israel e a Igreja. Isso é o que chamamos de a “Eclesiologia de Rute”. Semelhantemente, o livro de Ester descreve eventos históricos reais, mas pode ser interpretado como uma parábola profética do Fim dos Tempos. Chamamos isso de a “Escatologia de Ester”.

Confira a parte 2 na próxima semana!

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By | 2016-02-24T00:00:00+00:00 February 24th, 2016|Sem categoria|0 Comments

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