Portanto, Desci

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Por Eitan Shishkoff

Há uma frase em particular, na conversa entre Deus e Moisés que sempre chama minha atenção: “Portanto, desci.” Moisés estava ali, assombrado com a sarça que não parava de queimar. Por que não ficaria assombrado? Ele estava ouvindo a voz do Deus Todo-poderoso, afinal!

Os hebreus estavam presos na escravidão. Moisés havia desperdiçado sua chance e passou 40 anos frustrantes correndo atrás de ovelhas no deserto. Eu sei como é isso, pois quando éramos hippies tentando tirar nosso sustento da terra no estado do Novo México, EUA, era meu “trabalho” pastorear as cabras. Elas me deixavam maluco, pois corriam o tempo todo de arbusto em arbusto. O problema, percebi muitos anos depois, é que não estávamos alimentando suficientemente bem as pobres criaturas. Assim, quando elas eram soltas para “pastar um pouco com o Eitan”, desatavam a correr como se fossem cavalos de corrida. Já era um desafio enorme acompanhá-las. Na verdade, elas é que estavam me levando para onde queriam.

Quando Deus disse a Moisés: “Portanto, desci”, não era uma expressão insignificante na conversa. O diálogo que se segue foi determinante (já que logo a seguir Deus revelou o seu nome inefável “EU SOU O QUE SOU — יהוה” e anuncia que Moisés seria o enviado especial do Senhor para o faraó) .Ao mesmo tempo, a conversa entre eles também contém um certo humor. Quando Deus informa a Moisés que está enviando um pastor do deserto para o soberano mais poderoso do mundo, exigindo que ele libertasse os hebreus, sua mão de obra escrava abundante e grátis, Moisés reagiu em diversos níveis.

Era como ele estivesse:
(1) bancando um imbecil, ou
(2) verdadeiramente deslumbrado e atento a cada palavra, ou
(3) lembrando de sua tentativa mal sucedida de libertar seus parentes escravizados e definitivamente sem vontade de fazer parte disso, ou
(4) tendo perguntas sinceras e tentando se familiarizar com toda esta situação estranha em que uma voz saía de uma sarça em chamas. E nós imaginamos que a voz fosse grave e estrondosa, assustadora e acolhedora, tudo ao mesmo tempo.

Porque “Descer”?

“Descer” é, naturalmente, parte do repertório de Deus. Ele o usou primeiro com Adão e Eva, aquele casal adorável, porém confuso que aparece no começo da Bíblia. Eles escutaram o som do Senhor caminhando no jardim durante o período de mais brisas no dia (minha tradução de “לרוח היום”).  Ele estava lá, Deus, o Criador. E eles o ESCUTARAM. A presença de Deus deve ter sido de forma física, para que eles conseguissem escutá-lo. Conclusão: Ele desceu.

Em seguida, temos todos os incidentes sobre os quais as pessoas (incluindo o meu amigo Asher) tem escrito. O Todo-poderoso apareceu para Abraão, para Gideão, Ezequiel e os pais de Sansão. Mas, essa descrição com um verbo de ação: “Portanto, desci”, é uma resposta de envolvimento pessoal, relacionada ao clamor dos escravos hebreus. Por que ele desceu? “…a fim de livrá-lo da mão dos egípcios e para fazê-lo subir daquela terra a uma terra boa e ampla, terra que mana leite e mel…” (Êx 3:8). Um acordo atraente e tanto!

Foi a parte de envolver-se com o povo que me atraiu. Dando um salto enorme no tempo, para o evangelho de João,   Yeshua Disse: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu” (Jo 6.51). Deus “desceu” novamente, desta vez em carne! E, mais uma vez, seu objetivo foi libertar os cativos (Isaías 61:1 and Lucas 4:18).  Parece que esse negócio de “descer” é uma das principais características do Eterno. Isto É o que ele faz, o que desafia muitas tradições religiosas. IDe fato, estar entre nós é uma “especialidade” dele. (Veja Tiago 4.8; Êxodo 25.8; 33.14; Mateus 28.20).

Desça até mim!

Eu quero habitar com ele e que ele habite comigo. Sua inclinação de “descer” me revela sua preocupação pessoal, prontidão para o sacrifício, compromisso inabalável para lidar com meu lixo e sua habilidade para mudar o meu egoísmo. Era inevitável que um Messias apareceria na vida real. De que outro modo Deus cumpriria seu plano de salvar a humanidade e de me salvar? Ele não poderia fazê-lo à distância, como se fosse uma chamada por Skype. A única maneira era “descer” e cuidar do assunto pessoalmente.

Como naquela época do Egito, quando ele ouviu nosso clamor, ele ainda o ouve agora mesmo. “Eu clamo a ti, Senhor. Escuta o meu clamor. Desce. Tu já desceste e me mostraste quem tu és. Mas ainda preciso de ti todos os dias. Ajuda-me a ouvir os teus passos no jardim, partindo o pão. Ajuda-me a perceber a tua proximidade quando sinto que estou distante de ti. Vem, e desce até mim, Senhor

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By | 2018-09-09T18:42:25+00:00 August 23rd, 2018|Uncategorized|0 Comments

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